Aos 69 anos aposentada destaca importância da mulher ter a sua independência

Dona Lurdeca buscou passar esse ensinamento para as filhas e netas

Maria Eduarda Toralles / RADAR 64
Publicado em 07/03/2018 às 16h17

TEXTO SEGUE DEPOIS DA PUBLICIDADE

EUNÁPOLIS - Alegre e ativa, desta forma podemos descrever a aposentada Maria de Lurdes Araújo,  a dona Lurdeca, como é carinhosamente conhecida pela família e pelos amigos. Hoje, com 69 anos, ela ainda continua trabalhando, produzindo licores caseiros para garantir uma renda extra. Quando questionada como aprendeu a preparar esses produtos, responde rápido: “A vida. Sempre trabalhei. Graças a Deus eu fiz tudo que eu queria fazer até agora e ainda vou fazer mais”, disse ela.

Dona Lurdeca sempre fugiu aos padrões impostos às mulheres de sua época. E começou a trabalhar cedo. “A mulher tem que ter a sua independência, mesmo que tenha um marido, mesmo que tenha um homem lhe ajudando. Ela tem que trabalhar. Eu acho assim, vida fútil não dá”, ressalta a aposentada.

TEXTO SEGUE DEPOIS DO ANÚNCIO
Ela conta que já enfrentou algum tipo de preconceito pelo fato de trabalhar fora de casa, ainda mais que atuou num ambiente geralmente mais frequentado por muitos homens. “Eu trabalhei com homens na feira, cortando carne. Tinha necessidade. Não tenho vergonha. Para mim todo trabalho é honrado. Às vezes, a gente ouve alguma coisa, mas nada me abala. Tudo passa”, ensina ela.

 “Naquela época, você sabe que mulher tinha que ser dona de casa. Tinha que viver por um prato de comida praticamente”, frisa.

Ela analisa que nos dias atuais a situação já mudou muito. “Hoje a mulher trabalha fora, ganha o dinheiro dela. Ela sabe se respeitar. Ela é feliz sozinha”, destaca.

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64 
Dona Lurdeca sempre fugiu aos padrões impostos às mulheres de sua época

Ao falar de assédio e bullying, a aposentada se lembra de certo dia, lá pelo ano de 1976, quando um homem lhe disse algumas “gracinhas”, enquanto ela caminhava sozinha pela rua. E ela enfrentou a situação, não teve medo e conta que buscou ensinar isso a suas filhas e netas. “Eu ensinei a respeitar para ser respeitada e que se alguém fizesse algo que elas sentissem que era bullying ou assédio, até mesmo sexual, que elas falassem comigo, que eu iria ajudar a resolver. Tem que resolver, falando e denunciando”.

E nestes 69 anos de vida, dona Lurdeca conta, que apesar de ter enfrentado alguns desafios, foi e é muito feliz sendo mulher. “Quem me fez feliz foi a minha mãe, que me criou. O meu marido, ele já faleceu, mas me que deixou um legado, deixou meus filhos e me ensinou a viver. Eu era muito jovem quando me casei. E até hoje eu sou feliz, sendo mulher”, concluiu ela.

SIGA O RADAR 64

RADAR 64© - Todos os direitos reservados 2007 - 2018