Biquíni de crochê criado em Trancoso vira alvo de briga judicial nos EUA

Peça já rendeu cerca de US$ 20 milhões à estrangeira que lançou produto

Do Fantástico / TV Globo
Publicado em 08/01/2019 às 08h03

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PORTO SEGURO - A artesã Solange Ferrarini criou em 1998 um biquíni de crochê para comercializar nas areias de Trancoso, distrito de Porto Seguro. A peça fez sucesso e caiu no gosto das turistas. De férias no Brasil, a turca Ipek Irgit comprou um desses biquínis.

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A paulista Solange Ferrarini, que mora em Trancoso, diz que criou a peça de moda praia há 21 anos. Ela alega que o biquíni foi fraudado por IpeK Igit, que já arrecadou cerca de US$ 20 milhões com a a peça. O caso está com a Justiça norte americana.

Ferrarini contou que, em 1998, criou um biquíni para usar no forte calor de Trancoso. A beleza e o colorido da confecção chamou a atenção de amigas e turistas, que passaram a fazer encomendas. Desde então, "Solange dos Biquínis", como é chamada, passou a vender as peças todos os dias pelas praias da região.

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Em maio do ano passado, a artesã ficou surpresa após descobrir que os modelos criados por ela estavam sendo vendidos por lojas famosas, espalhadas pelo mundo. A atriz australiana, Margot Robbie, e a modelo internacional alemã, Heidi Klum, já foram flagradas vestidas com os biquínis.

Fotos: Reprodução  
Várias famosas já usaram o biquíni

Foi então que a artesã que trabalha na Bahia descobriu que a costureira turca IpeK Igit lançou, em 2013, nos Estados Unidos, os biquínis semelhantes aos fabricados em Trancoso, com o nome "Kiini". A turca comprou um biquíni feito por Ferrarini, anos antes, quando esteve no sul baiano.

A costureira fechou uma parceria com a amiga e designer Sally Wu, para as produções dos modelos na China. Sally informou à reportagem do Fantástico que Ipek Igit nunca escondeu que copiou o biquíni que comprou na Bahia.

"Ela me procurou em 2012, me falou que comprou em uma praia no Brasil e que queria copiar. Insistiu tanto que eu disse "Ok, eu vou fazer uma amostra para você", disse a designer.

Foto: Reprodução 
Peça já rendeu cerca de US$ 20 milhões à estrangeira que lançou produto nos Estados Unidos.

Segundo Sally Wu, a turca mandou fotos do biquíni que deveria ser copiado. Em uma delas, é possível presenciar o número de contato de Solange Ferrarini, no elástico do biquíni.

Em maio de 2018, uma dona de uma marca americana de praia procurou Solange Ferrarini para vender biquínis parecidos, mas se propôs a pagar por isso e ajudar a paulista a entrar na justiça dos Estados Unidos. A empresária aceitou e processou Ipek Igit.

De acordo com Michelle Rutherford, a previsão é de que o processo dure seis meses.
"Vamos pedir de US$ 3 a US$ 5 milhões. Esse é o nosso palpite com base nas vendas do Kiini", disse a advogada.

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