Defensoria pede prisão domiciliar para 180 presos 'empilhados'

Publicado em 10/01/2017 às 19h46
Por G1
Foto: Arquivo/RADAR 64
Seis internos foram mortos e sete ficaram feridos em uma rebelião no ano de 2014

A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) divulgou nesta terça-feira (10) que pediu à Justiça a concessão de prisão domiciliar para mais de 180 internos que estão no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, devido à superlotação da unidade.

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O órgão afirma que 113 presos estão "empilhados" em ambiente "insalubre e degradante" e são obrigados até a fazer revezamento para dormir. Além da concessão da prisão domiciliar para esses detentos, a Defensoria também pede que outros cerca de 70 dententos do regime semiaberto que estão custodiados no mesmo local que os internos do regime fechado também cumpram pena em casa.

A Defensoria recomendou a interdição total dos locais denominados "Seguro A e B", assim como da cela 23-A, em razão, conforme o órgão, da incompatibilidade de estrutura dos locais com o que determina a Lei de Execução Penal. O DPE pede que sejam realizadas obras de infraestrutura e ampliação nos locais, e que os presos dos setores sejam inseridos em prisão domiciliar ou remanejados para outros locais.

As duas repartições do Conjunto Penal intituladas de "Seguro A" e "Seguro B" e a cela 23-A são compostas por quatro celas cada. Segundo a DPE, deveriam comportar, no máximo, dois internos por cela, ou seja, um total de 16 pessoas. Contudo, de acordo com órgão, foi constatado que nesses locais estão mais de 113 internos.

Foto: Arquivo/RADAR 64
Conjunto Penal de Eunápolis é destinado a presos do sexo masculino de toda a região

O Conjunto Penal de Eunápolis é o único da cidade, e é destinado a presos do sexo masculino condenados e, excepcionalmente, a presos provisórios, das comarcas de Eunápolis, Belmonte, Itabela, Itapebi, Porto Seguro, Guaratinga, Itagimirim e Santa Cruz Cabrália.

Conforme a DPE, as irregularidades no local foram constatadas após a realização de uma visita para fiscalização, no dia 3 de outubro de 2016. Na ocasião, segundo o órgão, o defensor público Fábio Gonçalves Fonseca constatou "flagrantes de desrespeito aos direitos humanos dos custodiados". Conforme a assessoria da Defensoria, o pedido à Justiça só foi feito agora, quase três meses após a visita, devido a trâmites burocráticos do processo.

As alas consideradas irregulares, conforme a Defensoria, são destinadas aos presos que não podem conviver com os demais, em decorrência de ameaças de morte. Esses detentos, de acordo com o órgão, são, geralmente, os primeiros a serem atacados em motins, como ocorreu em 2014 na unidade. Na ocasião, seis internos foram mortos e sete ficaram feridos.

A DPE também informou que pediu à Justiça a proibição de entrada de novos internos no Conjunto Penal de Eunápolis.

Em nota enviada à imprensa, o defensor Fábio Fonseca disse que o sistema carcerário brasileiro encontra-se em "situação sensivelmente trágica" e que a situação só vem à tona quando ocorrem "massacres" como os do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, onde 56 presos foram mortos durante uma rebelião, no dia 1º de janeiro.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que sempre cumpriu e cumprirá qualquer determinação judicial, porém, ainda não houve nenhum posicionamento da Vara de Execuções Penais ou do Tribunal de Justiça da Bahia para que a Seap atenda a solicitação da Defensoria.

 
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