Contos de fada como ferramenta para a identificação de violações dos direitos das crianças

ONG de Porto Seguro identificou 386 casos com projeto que utiliza contação de histórias em 81 escolas

Por Redação RADAR 64
Publicado em 12/11/2017 às 18h49
Foto: Divulgação  

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PORTO SEGURO - “Era uma vez...”. Como em todos os contos de fada, é desta forma que começam as histórias contadas pelas educadoras sociais do Projeto Filhos da Terra - Um despertar para a Educação Cidadã. Mas nestas histórias, as princesas, príncipes, fadas e outros personagens desenvolvem algum tipo de trabalho. “Algumas crianças, então, se identificam com esses personagens e passam a contar as suas próprias histórias”, explicou Maria Mariana Moreira Jorge, que trabalha no suporte técnico do projeto.

As histórias são contadas pelas educadoras sociais, vestidas de fadas, junto a um tapete interativo, para grupos com no máximo 10 crianças. Desenvolvido pela ONG Mãe Terra, o projeto busca diminuir a vulnerabilidade e o risco social das crianças, por meio de estratégias de enfrentamento ao trabalho infantil.

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RESULTADOS - Com a estratégia, de abril a outubro deste ano, quando foi desenvolvido, o projeto já ajudou a identificar 386 casos de violação dos direitos das crianças. “Muitos retrataram violência sexual, abusos e estresse”, destacou Mariana. O relatório foi entregue no último dia 09 à coordenação do Peti, durante uma reunião do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes.

O Filhos da Terra já atingiu 1.165 crianças, com idade entre seis e 11 anos, das 81 escolas municipais de Porto Seguro (da sede, rurais e indígenas). “Estamos trabalhando com uma mostra de crianças de cada escola, atendendo a indicações das próprias escolas, a crianças com famílias cadastradas no Bolsa Família e que já tenham passagem pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti)”, destacou Valtiângeli Rodrigues Moitinho, que também é do suporte técnico do projeto.

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OUTROS DADOS - O gestor do Instituto Mãe Terra, Altemar Felberg, informou que foi possível identificar também em quais tipos de trabalho as crianças acabam sendo envolvidas. “No primeiro relatório feito com base no IBGE, acreditava-se que a maioria das crianças trabalhasse vendendo coisas nas praias, mas nosso projeto apontou outra realidade, revelando que a maioria das crianças trabalha na construção civil”, destacou Altemar.

O estudo apontou ainda que há crianças trabalhando no comércio das periferias, em trabalhos domésticos, na agricultura e na pesca. “Muitas crianças relataram que têm que ir trabalhar no campo antes de irem para a escola”, revelou Valtiângeli.

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UM SONHO POSSÍVEL - Como culminância do projeto, foi realizado o Baile do Futuro, onde cada criança recebeu um Kit de materiais didáticos e brinquedos. “Durante o projeto, pedimos que cada um contasse seu sonho para o futuro. Alguns disseram que gostariam de ser dentista, arquiteto, entre outras profissões. Com base nisso, entregamos a cada um deles um brinquedo que representasse a profissão que escolheram, juntamente com a mensagem de que a realização do sonho deles dependia da permanência na escola”, explicou Valtiângeli.

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ENFRENTAMENTO – Com base nos dados apurados, serão realizadas, de novembro deste ano a abril de 2018, oficinas para o atendimento de famílias, responsáveis e crianças. “Vamos fazer oficinas associando temas que serão trabalhados com pais e filhos paralelamente. Com isso buscamos mostrar aos pais, por exemplo, algumas alternativas de renda extra, para que eles entendam que é possível assumir o sustento das casas sem ter que prejudicar o desenvolvimento de seus filhos”, destacou Altemar.

Ele afirma ainda que no próximo dia 28 de dezembro, os dados do projeto serão apresentados à comunidade durante o 1º Seminário das Escolas juntas no enfrentamento ao trabalho infantil. Na oportunidade serão apresentadas também as campanhas publicitárias que foram criadas para alertar sobre o problema. “Faremos campanhas mais específicas, com textos direcionados aos pais, as escolas e a comunidade”, concluiu ele. 

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