Promotores pedem condenação dos réus acusados de matar Ronaldo Santana

A previsão é que a sentença seja pronunciada na quarta-feira (16)

Redação RADAR 64
Publicado em 15/05/2018 às 10h59

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EUNÁPOLIS - O segundo dia do julgamento dos acusados da morte do radialista Ronaldo Santana começou por volta das 9h00 da manhã desta terça-feira (15), no fórum de Eunápolis, no bairro Dinah Borges.

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Os quatro réus são Paulo Dapé, que era prefeito do município à época do crime e três servidores comissionados do seu governo: Valdemir Batista Oliveira (atualmente vereador), Antônio Oliveira Santos (bancário aposentado) e a sacerdotisa Maria Sindoiá.

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No primeiro dia de julgamento, 14 testemunhas foram dispensadas pela defesa, pois, segundo o advogado de Paulo Dapé, Maurício Vasconcelos, elas não acrescentariam nada de relevante ao processo. Durante a tarde de segunda, os réus foram interrogados. Todos disseram que a morte do radialista seria de difícil solução, pois ele criticava e denunciava muita gente. A fase dos debates entre defesa e acusação deve ser concluída nesta terça-feira.

No fim da manhã, os promotores Ariomar da Silva e Luiz Ferreira Neto pediram a condenação de Paulo Dapé como mandante e os outros três réus com partícipes. À tarde, serão feitas as defesas. “Entendemos que a prova produzida nao é suficiente para uma condenação, pois ela é duvidosa. Por isso, estamos confiantes no conselho de setença", declarou Maurício. A previsão é que o veredito seja  pronunciado na quarta-feira (16).

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64 
Julgamento pode terminar ainda nesta terça-feira

O promotor de justiça Ariomar da Silva afirmou ao RADAR 64 que os réus atuaram na intermediação, pagamentos, empreitada do homicídio e outros foram os autores materiais. "São provas contundentes, efetivas, inclusive já tem um condenado em virtude disso. Nós vamos fazer nosso papel, mas a comunidade de Eunápolis, através dos sete jurados aqui, vai dizer se o caso comporta absolvição ou condenação. Temos nos autos elementos suficientes para condenação", afirmou Ariomar, acrescentando que os acusados adotaram todas as medidas possíveis para que o julgamento não acontecesse.

O radialista Jota Bastos, que apresenta um programa jornalístico na Ativa FM, em Eunápolis, afirmou que a morosidade da justiça e os recursos protelatórios contribuem para que "fique no ar a sensação de impunidade", fator determinante para que mais profissionais da imprensa sejam mortos, como continuou ocorrendo na região após o assassinato de Ronaldo Santana.

“Se houvesse rapidez no julgamento, inocentando ou punindo os acusados, isso inibiria esse ataque a imprensa. Porque muita gente quando se vê apertado, denunciado, tende a fazer o que foi feito com Ronaldo Santana”, lamentou Bastos.

QUATRO TIROS CALARAM RONALDO SANTANA - Ronaldo Santana, 38 anos, foi assassinado na manhã de 9 de outubro de 1997, na Avenida Duque de Caxias, centro da cidade, enquanto se deslocava para o trabalho na Rádio Jornal. Baleado por dois homens que estavam em uma moto, ele morreu pouco tempo depois no Hospital José Ramos Neto.

Foto: Arquivo polícia 
Paulo Sérgio Mendes Lima foi condenado a 19 anos de prisão em 2002

EXECUTOR PEGOU 19 ANOS - Em novembro de 2002, após desmembramento do processo, o ex-policial militar Paulo Sérgio Mendes Lima foi julgado em Eunápolis e confessou que o então prefeito Paulo Dapé foi o mandante do crime. Os jurados acataram a tese do Ministério Público de homicídio qualificado mediante recompensa e o condenaram por sete votos a zero. Paulo Sérgio já cumpriu a pena.

Segundo denúncia do promotor João Alves Neto, além de participar do crime, Paulo Sérgio contratou o executor dos tiros que mataram Ronaldo Santana, Alexandro Borges, o Alex. 

Na ocasião, Dapé negou que tivesse sido o mandante e que estava sendo "vítima de perseguição política". Ele garantiu que tinha provas de sua inocência, mas preferiu voltar suas baterias contra o promotor, a quem acusou de ter feito "uma armação" para prejudicá-lo. João Alves não atua no julgamento desta semana. Ele alegou impedimento.

Foto: RADAR 64 
Réus disseram que a morte do radialista é de difícil solução, pois ele denunciava todo mundo

O advogado de Paulo Dapé, Maurício Vasconcelos, afirmou ao RADAR 64, antes do início do julgamento, que Paulo Sérgio tem sete versões para o crime.

Já o advogado de Antônio Oliveira declarou que a única acusação contra ele é um cheque no valor de R$ 500,00, que teria sido pago a Paulo Sérgio. "Mas esse cheque não foi juntado aos autos. Não por negligência, mas porque não existe", assegurou Fabrício Frieber.

Os demais acusados também negam veemente o crime.

Foto: Arquivo pessoal  
Quatro tiros calaram Ronaldo Santana, que fazia denúncias contra a administração municipal

CRONOLOGIA DO CRIME

9/10/1997 – Ronaldo Santana de Araújo é assassinado com quatro tiros na Rua Duque de Caxias, quando se dirigia com seu filho, Márcio Alan, à Rádio Jornal, em Eunápolis, onde trabalhava. Morreu poucas horas depois no hospital.

16/10/1997 – O delegado especial Júlio Souza pede a prisão preventiva de Paulo Sérgio Mendes Lima, suspeito da participação na morte de Ronaldo Santana.

10/11/1998 – Paulo Sérgio Mendes Lima é preso em Goiânia (Goiás) por seu envolvimento no assassinato de Sebastião Alves Nogueira, em 8/11/1998, naquele Estado. Ele confessa que foi contatado para contratar as pessoas que mataram Ronaldo Santana e diz que o mandante é o prefeito de Eunápolis, Paulo Dapé.

18/11/1998 – Paulo Sérgio Mendes Lima dá novo depoimento em Salvador e confirma tudo o que disse em Goiânia.

18/11/1998 – O delegado Júlio Souza pede a prisão temporária de Maria José Ferreira Souza (Maria Sindoiá), Antônio Oliveira Souza (Toninho do Caixa) e Waldemir Batista de Oliveira (Dudu), citados por Paulo Sérgio Mendes Lima em seu depoimento como intermediários no crime. Eles são levados a depor em Salvador. Negam seu envolvimento no crime e são liberados em seguida.

19/11/1998 – Em acareação feita com a funcionária Maria Sindoiá, Paulo Sérgio Mendes Lima confirma seu depoimento. Maria Sindoiá diz que Lima esteve conversando com ela, mas não para acertar a morte do radialista.

10/12/1998 – Na data de comemoração dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, 61 entidades assinam a Carta de Eunápolis pedindo o fim da impunidade.

22/01/1999 – O Departamento de Direitos Humanos do Ministério da Justiça encaminha ao Ministério Público da Bahia um pedido para agilizar a investigação sobre o assassinato de Ronaldo Santana.

5/02/1999 – Paulo Sérgio Mendes Lima dá um novo depoimento, com registro no cartório de Goiânia (Goiás). Desmente tudo o que disse antes sobre o prefeito Paulo Dapé. Disse que deu o primeiro depoimento sob pressão.

4/03/1999 – Paulo Sérgio Mendes Lima dá um novo depoimento na Delegacia de Investigações Criminais em Goiânia, novamente desmentindo que a ordem do assassinato havia sido dada por Paulo Dapé e outros detalhes do primeiro depoimento.

15/03/00 – Lima é condenado, em Goiânia, por crime de lesões graves com resultado presumível pela participação na morte de Sebastião Alves Nogueira. A pena de um ano, quatro meses e 15 dias de privação de liberdade, já havia sido cumprida, porque ele estava preso desde novembro de 1998. Mas ele permanece na Casa de Prisão Provisória devido ao pedido de prisão preventiva relativo ao crime de Ronaldo Santana de Araújo, na Bahia. Diz que está convertido à Igreja Adventista.

27/11/02 - Paulo Sérgio Mendes Lima foi condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato do radialista Ronaldo Santana. O julgamento ocorreu em Eunápolis e os jurados acataram a tese do Ministério Público de homicídio qualificado mediante recompensa e o condenaram por sete votos a zero.

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