Extremo Sul: Tráfico de animais contribui para extinção de espécies

Caçador pode pegar até seis anos de prisão; consumo de carne provoca sérias doenças

Redação RADAR 64
Publicado em 02/12/2018 às 17h29

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PORTO SEGURO - O tráfico de animais silvestres é uma das principais ameaças à biodiversidade e pode provocar a extinção de diversas espécies a médio e longo prazo. No extremo Sul da Bahia, a Mata Atlântica guarda muitas riquezas naturais, mas tem muita gente que não respeita os moradores destas áreas e insiste em caçar os bichos, seja por diversão, para vendê-los ou para se alimentar.

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Órgãos como IBAMA, Ministério Público e polícia ambiental realizam, constantemente, ações para desarticular a cadeia de comércio do tráfico de animais silvestres.

Frequentemente, caçadores são presos na região. Também são comuns as apreensões de armas de fogo e animais silvestres vivos ou já abatidos.

"A Cippa é dotada de um setor de inteligência. Estamos, a todo o momento, levantando informações e mapeando essa mancha criminal ligada ao meio ambiente para, com isso, planejar ações, especificamente prender caçadores e dar destino a esses animais que são apreendidos ou mesmo buscar quem comercializa ele vivo ou morto", afirma o major Márcio Luís Blanco, comandante da Companhia Independente de Policiamento de Proteção Ambiental (Cippa).

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64  
Henrique Jabur, gerente do IBAMA, mostra um das inúmeros artefatos usados na caça de animais

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O comércio ilegal não ocasiona somente desequilíbrios ecológicos e sofrimento aos animais. Segundo o gerente executivo do IBAMA, Henrique Jabur, Os problemas relacionados à caça atingem a segurança, devido ao uso de armas, e saúde pública, com doenças relacionadas ao manuseio e consumo de animais silvestres.

"As doenças mais comuns que se tem conhecimento de transmissão são leptospirose, hanseníase, tuberculose e algumas doenças pulmonares causadas por contato com pássaros. Os números de doenças são diversos e algumas podem nem ser conhecidas. Segundo estudos da ONU, 70% das doenças infectocontagiosas surgidas no último século advêm de animais criados, em sua maioria, com algum tipo de controle sanitário. O que se esperar, então, de animais que vivem na natureza, livres? O certo é que há grande risco", alerta Jabur.

O promotor de Justiça Mauricio Magnativa destaca que as denúncias contra caçadores ilegais vêm crescendo nos últimos meses. Membro do Ministério Público Estadual em Porto Seguro, Magnativa lembra que a pena prevista pela legislação é de seis meses a um ano de prisão e o pagamento de multa.

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64  
Promotor Maurício Magnativa alerta que pena prevista pela legislação é de seis meses a um ano de prisão

"A caça ilegal de animais silvestres é tipificada na lei 9.605 (a Lei de Crimes Ambientais). Em seu artigo 26, a legislação diz que, quem pratica esse tipo de ato é punido com pena de detenção de seis a um ano. Esse tipo de pena pode ser aumentada em até três vezes, se o autor for pessoa de atividade profissional na caça, bem como a caça à noite. A mesma legislação também serve para quem compra, armazena ou expõe à venda carne proveniente de caça. Ministério Público e polícia fazem trabalho de investigação para identificar pontos de venda de carnes de animais em estabelecimento", explica o promotor.

Na Costa do Descobrimento, segundo o gerente do IBAMA, as aves -principalmente papagaios e periquitos- são os animais mais capturados e vendidos no mercado negro. Já a maior parte dos mamíferos corre algum tipo de ameaça ou está vulnerável.

"A gente divide a caça em dois tópicos correlacionados, mais diferentes. Tem o abate que é feito para consumo e a captura para cativeiro. As duas acontecem muito em nossa região. Daqui saem muitos pássaros para o mercado do o tráfico nacional e internacional. A caça de abate é muito comum. É um costume na região. Que, vale ressaltar, é ilegal e considerado crime. Os dois animais mais visados para abates são pacas, tatus, veado. Alguns já desaparecem, como a anta e os queixadas, o porco do mato. A anta e a onça (caçada mais por ser considerada nociva aos fazendeiros) estão na lista de ameaçados de extinção", diz o gerente do IBAMA.

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Major Blanco, comandante da Cippa, a polícia de proteção ambiiental: frequentemente, caçadores são presos na região

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os crimes ambientais são motivados por três fatores: certeza da impunidade; falta de informação e ausência de controle social da população. Para as autoridades, o apoio da comunidade é muito importante para desvendar e evitar crimes.

"Primeiro, não praticar esse tipo de atividade comercial. Se estiver ingerindo uma carne proveniente de caça silvestre também está praticando um crime. Segundo, denunciar onde existe esse tipo de comércio. Lembrando que a caça praticada em toda a região do extremo sul nao é por um pequeno produtor rural, para satisfazer suas necessidades diárias de proteína. O que verificamos aqui são caçadores profissionais", afirma o promotor Maurício Magnativa.

"Quem captura, guarda, comercializa, usa produto, subproduto, vende armadilhas está submetido à mesma regra", avisa Henrique Jabur.

Foto: Divulgação  
Tatu é muito caçado na região; animal é um dos principais transmissores da da doença hanseníase

"E a gente age em parceria com órgãos com Inema, ICMBio, MP, Ibama, no sentido de fazer fiscalizações, adentando a mata, por possíveis rotas de caçadores, buscando alcançar o êxito. Nós aguardamos do cidadão e da sociedade o compromisso para com a natureza", finaliza major Blanco.

Denúncias podem ser feitas por meio do telefone da Gerência Executiva do Ibama em Eunápolis: (73 - 3281-1526).

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