Um exemplo do verdadeiro sentido de ser mãe

Há dois anos, Michelle descobriu que filha tem diabetes incurável

Maria Eduarda Toralles / RADAR 64
Publicado em 13/05/2018 às 00h00

TEXTO SEGUE DEPOIS DA PUBLICIDADE

EUNÁPOLIS - Brincando com a macaca Cuca, a pequena Lara, de apenas cinco anos, repete a rotina que sua mãe, Michelle Lafuente, tem com ela. A menina pega o aparelho de medir a glicemia, finge que fura o dedo da macaca, avalia o resultado do exame e decide que Cuca precisa comer uma fruta, pois o nível de açúcar no sangue está alterado.

Há dois anos, Michelle e o marido, Luciano, descobriram que a menina tem diabetes do tipo 1. E este ritual, feito por Lara na sua brincadeira com a macaquinha fará parte do dia-a-dia de mãe e filha para sempre.

TEXTO SEGUE DEPOIS DO ANÚNCIO
O tipo de diabetes que a menina tem é tratável, mas ainda não tem cura. “São dois anos que eu não durmo uma noite completa, nem eu, nem o meu esposo. A cada duas horas nós acordamos para fazer a medição, que é o controle, porque os níveis ainda oscilam muito. Em todas as atividades ela precisa ser monitorada de forma que a gente se sinta segura e não impacte na rotina dela”, afirmou Michelle.

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64  

O que a Michelle faz pela filha, certamente é o que todas as mães, no verdadeiro sentido da palavra, fazem por seus filhos. Zelar, cuidar, dar muitas vezes a vida por eles.  Escolhemos esta história de amor entre Lara e Michelle para homenagear a todas as mães, cujo dia é comemorado neste segundo domingo de maio.

Nestes dois anos, Michelle se tornou mais que a mãe de Lara, se tornou a sua 'mãe pâncreas'. “Hoje eu sou o pâncreas dela. Eu que calculo o impacto daquilo que ela comeu e a quantidade de insulina que ela precisa para compensar, de forma que a quantidade de açúcar não suba demais e cause algum dano. E nem baixa demais a ponto de causar danos. Então buscar esse equilíbrio. Acho que equilíbrio é justamente a palavra pra tudo. Para a alimentação, para as atividades. Pra tudo”, explica ela.

IMPORTANTE SABER OUVIR – Com seus 35 anos, Michelle ensina que o diálogo tem sido essencial para que Lara entenda que as mudanças na rotina da família são para o bem dela. “Em primeiro lugar, nunca escondemos o fato dela. Desde o primeiro momento, chamamos para conversar, explicamos o que é essa patologia. O que ela tem que buscar para que tenha uma vida tranquila, segura e sem sequelas. E isso é um processo diário. Pra que ela se sinta segura para todas as atividades, eu sempre ouço muito. É uma coisa que achamos muito importante. E ouvir, mesmo nessa idade, é respeitar. É o que buscamos muito”, diz Michelle.

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64

Michelle conta que teve que superar medos e entender que algumas coisas, por mais difíceis que sejam, representam a garantia de vida para a sua filha. “Claro que foi difícil, no início, né. Eu ficava trêmula, no momento da aplicação da insulina, porque para ela também era difícil. Mas com o tempo, a gente trabalhou sempre e trabalha sempre com a conscientização. Hoje quando vejo que tem que fazer o teste no dedo, que fura, a aplicação da insulina, que são de cinco a seis vezes por dia. Às vezes eu tenho que acorda-la para que ela precise comer alguma coisa. É difícil, mas eu não tenho pena porque isso é sinal de que estamos cuidando, que estamos acompanhando, controlando e é um sinal de que vamos vence”.

Foto: Gustavo Moreira / RADAR 64  

Sorridente, brincalhona, carinhosa, muito ativa e amante de músicas, como toda criança de sua idade, Lara parece ensinar que é possível conviver com a doença e seguir a vida normalmente. “A Lara sempre foi uma criança muito ativa. Ela faz balé, faz aula de música. Esse ano começou com academia, tá na natação e ela gosta de tudo isso. E não tem porque ela não fazer tudo isso. Muito pelo contrário. Então isso foi um ponto positivo na nossa vida que foi trazer essa qualidade de vida que na verdade, todos nós devemos buscar e isso nos trouxe de forma mais rápida. Tanto qualidade na alimentação, quanto nas atividades”, destaca Michelle.

Apesar de todas as mudanças que a chegada da filha e a descoberta da doença representaram em sua vida, Michelle não poupa palavras para dizer o quanto se orgulha de ser mãe. “Eu tive a Lara num momento muito especial da minha vida. Foi um momento planejado, programado. E bem quisto por todos, tanto pela minha família, quanto pela família do meu esposo e amigos. Não poderia ser diferente e foi um momento muito especial e é, a cada descoberta, a cada novidade que acompanhamos, no desenvolvimento dela, é algo muito importante”, conclui a mãe de Lara.

SIGA O RADAR 64

RADAR 64© - Todos os direitos reservados 2007 - 2018