Adeptos do candomblé acusam dono de lanchonete de intolerância religiosa

Filha do comerciante justificou atitude do pai em expulsar grupo do estabelecimento

Marina Caldeira / RADAR 64
Publicado em 24/07/2019 às 10h20

BELMONTE - Adeptos do candomblé, uma crença de matriz africana, foram expulsos de uma lanchonete no centro de Belmonte, no início da noite de terça-feira (23). O grupo acusa o dono do comércio de intolerância religiosa.

As imagens de um vídeo gravado por um integrante do grupo mostram o comerciante obrigando os devotos a saírem do local. “Desocupa a lanchonete, senão vou chamar a polícia”, disse o dono da lanchonete. Uma mulher rebateu: “A gente que vai chamar a polícia, porque isso se chama preconceito”.

A discussão continuou sobre o consumo de produtos na lanchonete. “Nós estamos consumindo”, completa a mulher. “Duas latinhas? Vocês estão atrapalhando. Como vou passar com um lanche para servir o pessoal lá fora”, questionou o dono da lanchonete.

Em certo momento, o proprietário chega a empurrar a cadeira onde uma mulher está sentada. Para evitar mais confusão, os funcionários da lanchonete precisaram segurar o comerciante, que ficou indignado com a presença do grupo no local.

Foto: Reprodução / WhatsApp 
Grupo de adeptos do candomblé após ser expulso da lanchonete

A filha do dono do da lanchonete justificou a atitude do pai, em um áudio distribuído no WhatsApp, onde diz que o grupo estava atrapalhando o desenvolvimento do trabalho na lanchonete, pois realizou no local uma reunião que durou cerca de duas horas.

“Eles não vieram lanchar ou consumir, vieram fazer uma reunião. Eles simplesmente ligaram um notebook, pegaram as cadeiras e mesas. Mais de 20 pessoas, sem autorização, simplesmente fizeram a reunião deles. Fizeram um vídeo daquele momento, mas houve todo um contexto até chegar naquele ponto. Ninguém sai surtando do nada. Para toda ação, há uma reação”, justificou.

Em Belmonte está acontecendo o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha, o Festivale, que reúne visitantes de diversas cidades da região. São realizadas feiras de artesanato e folclore, cursos, oficinas de teatro, artes plásticas, regadas com muita música, teatro e dança.

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