Coral Vivo caracteriza lixo em praias com escolas por meio da ciência cidadã

Bióloga diz que é urgente a questão do descarte de resíduos sólidos

Por Mercia Ribeiro Anselmo
Publicado em 21/12/2018 às 07h58
Foto: Divulgação  
Estudante peneirando a areia de praia de Coroa Vermelha para coletar o lixo enterrado.

Trechos de praias de Porto Seguro, de Coroa Vermelha e de Santa Cruz Cabrália estão sendo monitorados por estudantes de três escolas estaduais da Rede de Educação Coral Vivo.

Eles levam para a escola o material recolhido, fazem a triagem e categorizam, utilizando protocolos para a caracterização ambiental.  Esse projeto será realizado até 2020, e a estratégia pedagógica segue os princípios da ciência cidadã, além de estarem inseridos nos projetos político pedagógicos dos colégios. Entre abril e setembro de 2018, os alunos recolheram 5.624 itens, sendo 4.044 de material plástico.

Além dos típicos resíduos como bitucas de cigarro, canudinhos e garrafas de vidro, os grupos escolares já encontraram camisinhas, restos de uma moto e cobertor. “Consideramos urgente a questão do descarte de resíduos sólidos. Por isso, estamos somando as ações previstas no nosso atual projeto patrocinado pela Petrobras aos objetivos traçados no Programa de Combate ao Lixo Marinho do Instituto Coral Vivo”, destaca a bióloga Teresa Gouveia, que é presidente do Instituto e coordenadora de Educação e Políticas Públicas do Projeto Coral Vivo.

“É importante que cada um perceba que não somente o descarte é um problema, mas também o consumo desenfreado e não consciente”, completa a coordenadora geral do Projeto Coral Vivo, a oceanógrafa Flávia Guebert.

O desenvolvimento dos projetos pedagógicos propicia aos alunos experiências de aprendizagem vinculadas à prática científica. Ao mesmo tempo, ocorre a sensibilização referente aos danos socioambientais decorrentes do lixo encontrado na costa e nos oceanos. Participam da Rede de Educação Coral Vivo o Colégio Estadual Doutor Antônio Ricaldi, de Porto Seguro, o Colégio Indígena Coroa Vermelha e o Colégio Estadual Professora Terezinha Scaramussa, de Santa Cruz Cabrália. As praias ficam perto das instalações escolares, que são consideradas espaços de aprendizagem.

Estratégia pedagógica

As professoras foram capacitadas para a adoção da metodologia pela coordenação do Coral Vivo. Além do acompanhamento de como estão sendo desenvolvidos os projetos, são fornecidos materiais como: fichas de campo e de categorização dos resíduos, luvas, sacos, fitas métricas, pranchetas e peneiras. Após os dados anotados, a maioria do material é encaminhada para a reciclagem.

Ao chegar à praia, os estudantes demarcam 100m² e recolhem os resíduos volumosos que têm 10 centímetros ou mais. E também peneiram 1m² de areia da praia em três pontos aleatórios para coletar os resíduos que estão enterrados. 

“Para compor os formulários foram pesquisadas experiências e proposições para o monitoramento costeiro em literatura especializada”, explica Teresa.

A estratégia pedagógica segue os Dez Princípios da Ciência Cidadã desenvolvidos pela Associação Europeia de Ciência Cidadã. Envolver ativamente os cidadãos nas atividades científicas gerando novo conhecimento e compreensão; e produzir genuínos resultados científicos, como colocar em prática ações de conservação e usar em decisões de gestão ou políticas ambientais, são exemplos desses Princípios.

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