Coral Vivo analisa ocorrência de mortalidade de mais de 90% de corais-de-fogo

Monitoramento em questão continua sendo realizado pela equipe do Projeto Coral Vivo

Da Influência Comunicação | Mercia Ribeiro Anselmo
Publicado em 08/07/2019 às 15h36
Foto: Divulgação 

PORTO SEGURO - O impacto do fenômeno do El Niño nos recifes de coral da Costa do Descobrimento está mais severo entre 2018 e 2019 do que aquele observado no período anterior, que ocorreu entre 2015 e 2016. Os pesquisadores do Projeto Coral Vivo estão monitorando e analisando uma série de variáveis ambientais e biológicas, e gerando assim um banco de dados bastante robusto sobre o impacto do fenômeno. Eles alertam sobre a observação de que existe, em julho, uma mortalidade do coral-de-fogo (Millepora alcicornis) acima de 90%, em alguns recifes da região.

Cabe destacar que a capacidade de crescimento e multiplicação do coral-de-fogo é mais rápida do que de outros corais que ocorrem no Brasil. “Como as temperaturas se mantiveram elevadas até junho, com uma média de 29,6°C, essa espécie começou a morrer em maio. Para se ter uma ideia, a temperatura chegou a 31,4ºC nos recifes mais rasos”, informa o zootecnista Carlos Henrique Lacerda, coordenador regional de pesquisas do Projeto Coral Vivo, que é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Em recifes da Costa do Descobrimento, a temperatura média da água, entre janeiro e maio de 2018, foi de 27,0°C, o que significa 2,6°C inferior àquela registrada no mesmo período de 2019. “Também observamos um aumento de quase 15% da radiação solar incidente na região durante a ocorrência do evento”, observa Lacerda. Entre 2018 e 2019, o Projeto Coral Vivo está monitorando os mesmos pontos que foram monitorados entre 2015 e 2016.

Foto: Divulgação  

Em 2019, pela primeira vez no Brasil, foi observada e registrada a mortalidade de colônias e recrutas de corais de diferentes espécies, em função do El Niño. Em recifes mais rasos, próximos à costa, espécies como Agaricia humilis e Favia gravida,consideradas tolerantes ao estresse térmico, apresentaram uma elevada porcentagem de branqueamento, variando entre 60% e 80%, com perdas acima de 50% no número de colônias e recrutas.

O monitoramento em questão continua sendo realizado pela equipe do Projeto Coral Vivo, sendo que os dados completos serão disponibilizados à Rede de Pesquisas Coral Vivo, que é composta por 14 universidades e institutos de pesquisa. Cabe destacar que a Costa do Descobrimento é uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul e uma das áreas prioritárias do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais).

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