Focos de incêndio atingem Parque Nacional do Monte Pascoal e duas aldeias indígenas

ICMBio informa que são dois incêndios, um maior, na área central do Parque, e outro a leste

Rose Marie Galvão / RADAR 64
Publicado em 01/03/2019 às 19h46

Focos de incêndio estão se espalhando com muita rapidez por uma extensa área de Mata Atlântica no Parque Nacional e Histórico de Monte Pascoal, em Porto Seguro, sul da Bahia. A região está localizada no chamado ‘Sítio Histórico do Descobrimento’. Segundo os indígenas que habitam no entorno do parque, “as chamas se espalharam também pelas aldeias de Boca da Mata e Meio da Mata”.

O parque tem 22.500 hectares, sendo oito deles formados por terras indígenas onde estão localizadas cinco aldeias da etnia Pataxós. Duas delas atingidas pelo incêndio.

Galeria de Fotos

Segundo o professor Rodolfo Pinheiro, o fogo teria começado na quinta-feira (28/02). As chamas se espalham rapidamente favorecidas pela falta de chuvas e pela seca que atinge a vegetação há mais de dois meses.

“O fogo atinge a área que compreende parte do distrito de Caraíva em direção à BR-101, conhecida como Ponta do Corumbau”, local de onde se tem a visão mais completa do Monte Pascoal, localizado dentro da unidade de conservação federal criada em 1961 no município de Porto Seguro.

Rodolfo descarta qualquer motivação criminosa do incêndio. Segundo ele, “a falta de chuva da região, provocando uma longa estiagem, e a dificuldade dos brigadistas para controlar os focos favorecem a expansão das chamas que já destruíram espécies raras da Mata Atlântica”, lamenta. Disse ainda que em torno do topo do monte a fumaça é tão intensa que parece neblina.

Foto: Internauta / RADAR 64 
Trabalham 12 brigadistas contratados do parque e voluntários

COMBATE - Procurado pela redação do RADAR 64, a assessoria de comunicação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília, informou que o órgão determinou o deslocamento de uma equipe formada pelo coordenador de campo e dois grupos de brigadistas do Parque Nacional Pau Brasil e do Parque Nacional Monte Pascoal para atuarem conjuntamente no combate ao fogo.

As ações de combate aos incêndios na região são coordenadas pela Unidade CR-11. Segundo o órgão, ainda não é possível identificar as causas desses incêndios, classificados como de nível 1.

Conforme informou o ICMBio, “trata-se de dois incêndios, um maior, na área central do Parque, e outro a leste da Unidade de Conservação (UC)”. Segundo o órgão, “os trabalhos estão concentrados na área central, onde atuam 12 brigadistas contratados pela UC e mais os voluntários”, a maioria de indígenas que moram no local.

Uma nota técnica está sendo produzida para melhor informar à população acerca da situação no sul da Bahia, mas já se pode adiantar que durante o Carnaval a Coordenação Nacional estará de plantão, em Brasília, para dar suporte a esta ocorrência caso seja necessário o deslocamento de novas equipes de brigadistas ou até mesmo reforço aéreo.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO - A preocupação dos indígenas “é que o fogo chegue até o Monte Pascoal, patrimônio da Unesco que faz parte da história do Brasil e que fica dentro do parque”. O Monte Pascoal foi a primeira porção de terra nacional avistada pelos navegadores portugueses.

Foto:  Internauta / RADAR 64  
Chamas se espalham rapidamente favorecidas pela falta de chuvas

Segundo Edimarcos Pataxó, “uma área de 30 tarefas já foi devastada”. Na região, das nove aldeias jesuíticas fundadas no século XVI ainda restam cinco. O indígena, que também é professor, teme que as chamas cheguem até a ‘Aldeia Pé do Monte’, que fica exatamente na parte baixa da formação.

“O fogo está consumindo uma área cuja vegetação foi replantada pela ONG Natureza Bela e mais uma área onde o replantio iria começar. Convivemos aqui na região há muitos anos. Nossa família, os nossos parentes, o nosso povo. E hoje estamos com a turma no sentido de tentar preservar o que ainda resta nesse parque", destacou Edir Pataxó.

Nesta sexta-feira (1º/03), Edir e o irmão, Marcones, usaram as redes sociais para denunciar a falta de apoio dos órgãos governamentais e apelar por mais ajuda desses órgãos. Eles fazem parte de um grupo de mais de 100 voluntários - a maioria indígena - que moram na região e atuam junto com os brigadistas.

“O mais grave é que até agora não recebemos apoio nenhum aqui no Parque Nacional para combater esse incêndio. O Pessoal da 'Aldeia Boca da Mata' está atuando sem condições nenhuma. Já não temos motosserra, não temos combustível, já não temos mais ferramentas para poder trabalhar e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) alega, o pessoal responsável de lá, é que nesse momento está sem condições de ajudar, por isso estamos pedindo apoio da imprensa para divulgar o que está acontecendo no parque”.

SIGA O RADAR 64

RADAR 64© - Todos os direitos reservados 2007 - 2018
Focos de incêndio atingem Parque Nacional do Monte Pascoal e duas aldeias indígenas

AVISO IMPORTANTE

O conteúdo que você se dispõe a ver contém imagens fortes e que podem causar choque emocional. Esse conteúdo é dirigido especificamente para pessoas maiores de idade e que, segundo a legislação aplicável, tenham preparo psicológico para acessá-lo.

Fica terminantemente proibido o acesso a esse material por aqueles que não cumpram tais requisitos.

Clicando em FORTES, você declara expressamente que é maior de idade e tem plena capacidade para acessar esse material.

Caso você não atenda a algum dos requisitos anteriormente expostos fica obrigado a clicar em LIVRES ou no BOTÃO FECHAR [X] no canto superior desta janela.