Fogo no Parque do Monte Pascoal volta ainda maior

Chamas que já devastaram uma área equivalente a 1.501 campos de futebol

Rose Marie Galvão
Publicado em 19/03/2019 às 17h54

PORTO SEGURO - Novos focos de incêndios voltam a consumidor o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, no município de Porto Seguro, no sul da Bahia. Conforme informações fornecidas pelos povos indígenas que habitam a região, o incêndio voltou com proporções ainda maiores e está destruindo outra parte do Parque Nacional que ainda não tinha sido atingido pelo fogo.

No local combatendo o incêndio estão brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lotados no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e no Parque do Descobrimento, além de centenas de indígenas voluntários que trabalham para debelar o fogo que atinge a vegetação. Eles recebem doação da população da região para se manterem no local e tentar apagar o incêndio.

Nesta terça-feira (19), brigadistas da Veracel e voluntários em aviões chegaram as áreas da mata para reforçar o combate as chamas que já devastaram uma área equivalente a 1.501 campos de futebol. Não há feridos e o incêndio não atingiu casas. No entanto, um dos focos do fogo fica perto de uma aldeia indígena.

Segundo a Chefe do Parque, Cássia Saretta, as brigadas estão atuando com afinco. “A brigada do Monte Pascoal, por sinal, nem saiu do local, eles [os brigadistas] estavam acampados esses dias, fazendo monitoramento e vigília, mas o tempo não está contribuindo, não choveu na área”. Lamentou. “A situação é complicado porque é fogo durante muito tempo.”

O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal é uma Unidade de Conservação criada em 1961, em Porto Seguro. O Monte Pascoal é patrimônio da Unesco. O local foi a primeira porção de terra nacional avistada pelos navegadores portugueses.

REQUEIMA

Há aproximadamente dez dias, um incêndio destruiu quase metade da área da unidade de conservação e todos os plantios comerciais e de subsistência da aldeia Pataxó Boca da Mata, localizada nos limites do Parque. As chamas começaram a ser alastrar pelo local no dia 28 de fevereiro e foram controladas seis dias depois, mas novos focos surgiram.

Entre os voluntários, há suspeitas de que o fogo é criminoso. Os indígenas temem ser alvo de ações de pessoas que querem destruir a Unidade de Conservação e atingir as suas comunidades, deixando-as sem nenhuma condição de sobrevivência, pois suas roças também são destruídas pelo fogo.

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