No emblemático Parque Monte Pascoal, mulheres pataxós ajudaram os homens a vencer o fogo

Companheirismo e determinação marcam atuação das indígenas contra o fogo

Rose Marie Galvão / RADAR 64
Publicado em 08/03/2019 às 08h10

PORTO SEGURO - Quem acompanhou de perto os últimos dias de combate aos incêndios no emblemático Parque Nacional e Histórico de Monte Pascoal, em Porto Seguro, não vai esquecer a luta sem tréguas dos bombeiros militares da Bahia, brigadistas do ICMBio e da Veracel, como também o apoio da Prefeitura de Porto Seguro no sentido de evitar que as labaredas devorassem as florestas nativas de Mata Atlântica, seus animais e aves e todo o seu patrimônio natural.

O saldo da tragédia, que durou seis dias, só não foi pior pela ajuda de voluntários indígenas que somaram esforços com o time contratado pelos órgãos governamentais (união, estado e prefeitura de Porto Seguro) e empresas privadas.

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No entorno dos focos de incêndios, mulheres indígenas também trabalharam para ajudar seus maridos, filhos, irmãos etc a combater o fogo na região onde vivem quase seis mil pataxós espalhados em aldeias como Boca da Mata, Meio da Mata, Pé do Monte, Cassiana, Corumbauzinho, Barra Velha, Xandó, Cujicão, Trevo do Parque, Guaxuma, dentre outras.

Um episódio triste como este serve para deixar claro o potencial do trabalho voluntário como aliado na conservação de áreas protegidas bem como o empoderamento dessas mulheres.

Foto: Divulgação  
No entorno dos focos de incêndios, mulheres indígenas também trabalharam para ajudar seus maridos

“Muitas pessoas ainda acham que ganhamos dinheiro para o trabalho, mas ele é voluntário, gratuito", emenda Juliana Pataxó, que mora na “Boca da Mata” e atuou como uma guerreira ao lado de mais dezenas de mulheres, arregimentadas espontaneamente, alimentando o contingente de homens que trabalharam para debelar o fogo.

COMPANHEIRISMO - As mulheres receberam doações da comunidade, cozinharam e levaram água para os voluntários e brigadistas nas áreas dos focos. Foram mais de 16 quilômetros de aceiros feitos por meio do trabalho humano, com pás e enxadas para cercar e isolar o fogo até a chegada de dois tratores de esteira, enviados pela Veracel e Prefeitura de Porto Seguro.

Em um vídeo gravado de celular, Juliana Pataxó explica como as mulheres atuaram, levando alimentos, água, solidariedade e um pouco de alegria:

“Como a gente não pode estar todas dentro da mata a gente está dando apoio aqui com mais 20 mulheres, porque lá na mata eles [os homens] não têm como fazer alimentação nem conseguir água de beber, por isso nós estamos levando e ajudando”, disse ela.

Dentro desse grupo feminino muitas determinadas, como Juliana frisou: “algumas mulheres grávidas, que vai ganhar nenê este mês, e outras mais jovens pegando no batente e se revezando nos serviços nos turnos da manhã, tarde e noite”, explicou.

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Mulheres atuaram, levando alimentos, água, solidariedade e um pouco de alegria

“Estamos dando esse apoio porque lá no combate temos mais de 500 homens que conhecem muito bem as serras e estão dando combate ao fogo. São indígenas nativos e o pessoal do governo. Tem brigada voluntária e tem a brigada do ICMBio e nós mulheres porque é necessário companheirismo e determinação para o sucesso do trabalho em grupo”, destacou.

SOBREVIVÊNCIA - Segundo a líder pataxó, o trabalho das mulheres “é feito com uma grande satisfação, porque a gente está ajudando nossos parceiros, nossos esposos e parentes e esta é a terra onde nascemos e vivemos e precisamos preservar. O resto é comprometimento e amor à natureza”, completou.

A declaração de Juliana pode até ter ares de romantismo, mas acredite, é preciso pegada forte para engrossar os quadros das voluntárias. Por causa disso, no Dia Internacional das Mulheres a homenagem vai para as aguerridas pataxós, enumerando o nome de cada uma delas como forma de agradecer a atuação de todas as mulheres em favor da sobrevivência da natureza. Leia abaixo:

Silvanete Santos Araújo, Juliana da Conceição Santana, Luana Nascimento Silva, Cida Araújo, Nilda de Jesus Almeida, Jaqueline Braz de Jesus, Cleidiane Alves da Rocha, Daji Pataxó, Jocieli Santana, Nicole De Araújo Santana, Rosa Santana Procópio, Riane Santana, Cosmira, Joseane Ponçada Santana, Cristiane Passos, Jamilly Santos, Elismarcia Ponçada (todas da Almeida Boca da Mata); Dinair Pires Pereira (Aldeia Tupiniquins); D’Ajuda Braz de Almeida e Maria Nilza da Aldeia Cassiana; Creuza Riberia e Danieli Fernandes, da Aldeia Guaxuma, e Cláudia Cardoso Barreto e Zane da Aldeia Meio da Mata.

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