Rio do Brasil, em Porto Seguro: um exemplo da importância da preservação ambiental

No Dia Mundial da Água, RADAR 64 traz reportagem especial sobre conservação

Eduarda Toralles / RADAR 64
Publicado em 22/03/2016 às 09h21

EUNÁPOLIS - Preocupação com a preservação do meio ambiente. Essa foi a motivação de um empresário carioca ao adquirir uma área de 1.100 hectares, dos quais 975 foram transformados numa Reserva Participar do Patrimônio Natural (RPPN), a RPPN Rio do Brasil, em Porto Seguro, ao lado do Parque Nacional Pau-Brasil (ParNa Pau Brasil ou PNPB).

Adquirida em 2010, a área conta com mata nativa e é rica em mananciais. Três rios da região margeiam ou cortam a RPPN Rio do Brasil: o Córrego das Éguas, o Rio da Barra e o Rio do Norte. “Contamos sete nascentes dentro da RPPN. Todas elas contribuem para a preservação desses rios”, contou o engenheiro florestal Cleiuodson Lage, conhecido como Peu, que é o gestor da RPPN.

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IMPORTÂNCIA DAS MATAS PRA CONSERVAÇÃO DOS RIOS

Segundo Peu, a RPPN é importante por ser uma dos poucos remanescentes de Mata Atlântica que ainda contam com mata paludosa, que é uma área que se caracteriza pela alta densidade vegetal, com grande número de palmeiras, lianas, fetos e samambaias e, principalmente, de uma árvore chamada Guanandi, própria de um clima úmido marítimo. “É uma mata que se desenvolve em zonas de baixada e se adapta bem em áreas brejosas. Acredito que já existiu no entorno de todos os rios da região”, avaliou o engenheiro florestal, informando que 55% da mata existente na RPPN estão em ótimo estado de conservação.

Foto: RADAR 64
Engenheiro florestal Cleiuodson Lage, gestor da RPPN, esteve na redação do RADAR 64

Peu destaca que, graças à preservação das matas ciliares, os rios que margeiam e cortam a RPPN estão em bom estado de conservação. “Principalmente o Rio da Barra, que corre praticamente todo dentro de áreas de preservação. Ele nasce vizinho ao Parque Nacional Pau Brasil e corre dentro da RPPN. Com todo esse período de seca que passamos esse ano, os rios existentes da área até baixaram um pouco o nível, mas nenhum secou. As nascentes continuaram jorrando água. Isso mostra a importância de preservarmos o meio ambiente”, destacou ele.

Foto: Luciano Candisani / Divulgação
Um exemplo da importância da preservação ambiental

E foi o nome original do Rio da Barra, por sinal, que deu origem ao nome da RPPN. Segundo o engenheiro florestal, o Rio do Brasil, que depois passou a se chamar Rio da Barra, foi o primeiro descrito na história do Brasil no Planisfério de Cantino, em 1502.

FAUNA E FLORA

Mais de 465 espécies da fauna brasileira foram registradas na área, num levantamento feito em 2012. Segundo Peu, foram catalogados 105 invertebrados e 360 animais vertebrados, entre eles 24 peixes, 43 anfíbios, 37 répteis, 211 aves e 45 mamíferos. “87 desses animais são endêmicos da Mata Atlântica e 17 deles estão ameaçados de extinção”, destacou o engenheiro florestal.

Foto: Luciano Candisani
BICHO-PREGUIÇA: Foram catalogados 105 animais invertebrados e 360 vertebrados na RPPN

Peu contou que apesar do levantamento não ter identificado a presença de puma na área, alguns funcionários já avistaram um animal dessa espécie. “Também não foi registrada a presença de anta, mas já localizamos algumas pegadas na RPPN. Acredito que pelo fato da RPPN ser vizinha ao ParNa, onde há registro de antas, elas devem transitar pera área da RPPN”, destacou Peu, citando ainda a harpia como outro animal icônico já avistado na RPPN.

No levantamento da flora da área, o engenheiro florestal destaca a presença de espécies de árvores que sofreram bastante com a exploração madeireira, na década de 80. Na RPPN existem espécies como o parajús, biribas, jatobás, jacarandás e palmito jussara.

PREOCUPAÇÃO SOCIAL

Consciente de que a preservação ambiental tem que estar alinhada ao desenvolvimento social das comunidades do entorno da RPPN, o empresário carioca, por meio da RPPN, também está investindo na geração de mão-de-obra local e no desenvolvimento educacional das gerações futuras. Prova disso é que todos os trabalhadores contratados para trabalharem na RPPN são moradores das comunidades de Sapirara e Coqueiro Alto, que ficam no entorno da área de conservação. Além disso, há uma parceria com a ONG ADT, de Trancoso, para o apadrinhamento de 68 crianças dessas comunidades. “A RPPN apadrinha essas crianças e adolescentes, pagando cursos extracurriculares”, ressaltou Peu, que por sinal é mais um exemplo de preocupação na contratação de mão-de-obra local, ele é nativo de Porto Seguro.

Foto: Luciano Candisani
JIBOIA: Muitos animais encontrados na RPPN são endêmicos da Mata Atlântica e ameaçados de extinção

A partir desse ano, a RPPN - em parceria com o Parque Nacional e a ONG Conservação Internacional, irá apoiar a qualificação de moradores de comunidades da região para trabalharem como monitores na visitação de unidades de conservação. “Nós apoiamos o projeto de fortalecimento do Parque e agora iremos apoiar a formação dos condutores locais”, destacou Peu.

A conservação dos remanescentes de Mata Atlântica tem sido fortalecida pela parceria entre os gestores das RPPNs e Parques Nacionais existentes na região. Peu destaca a parceria com a chefia do ParNa Pau-Brasil e da RPPN Estação Veracel buscando ações conjuntas que visem sempre a conservação ambiental e o desenvolvimento social das comunidades rurais da região.

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